Investigação e Bastidores
Noah Makembo: A joia belga que o PSG tentou tirar da Europa e os segredos de uma negociação bilionária
Renan Cardoso, ex-gestor midiático de Endrick e especialista em branding esportivo, revela como o "novo Pogba" recusou o gigante francês em 2019.
No complexo tabuleiro do futebol de elite, o sucesso raramente é fruto do acaso. Ele é o resultado de uma combinação precisa entre talento bruto, gestão estratégica e o "olhar clínico" de quem consegue identificar uma estrela antes mesmo de ela brilhar nos grandes estádios. No Mundo do Esporte RC, nosso compromisso sempre foi documentar esses processos invisíveis ao grande público.
Quem acompanha minha trajetória sabe que a autoridade não se constrói da noite para o dia. De registros históricos que hoje ilustram a trajetória oficial de Endrick (Real Madrid) na Wikipedia — fotos autorais de minha autoria que já somam dezenas de milhares de visualizações — até a prospecção de joias como Maycon Douglas (Bayern de Munique), nossa marca é a antecipação. Hoje, mergulhamos nos bastidores de um caso que parou o mercado europeu em 2019: o dia em que o Paris Saint-Germain tentou, sem sucesso, contratar o fenômeno belga Noah Makembo.
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Noah Makembo, em seu Clube aos 11 anos - Standard Liége (Foto: Acervo Mundo do Esporte TV RC)
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O PIONEIRISMO: Em 2017, Noah Makembo já era destaque absoluto na base do Standard de Liège. Com apenas 10 anos, sua técnica refinada e visão de jogo o colocavam degraus acima de seus pares. (Foto: Acervo Exclusivo Mundo do Esporte RC)
A Gênese de um Talento: O Fenômeno de Liège
Minha conexão com a família Makembo e com a promessa Noah iniciou-se muito antes dos grandes portais europeus sequer ouvirem falar seu nome. Entre 2015 e 2016, enquanto eu já estabelecia laços com a família de Endrick no Brasil, meu "radar" para talentos internacionais apontava para a Bélgica. Noah, então uma criança no Standard de Liège, exibia uma maturidade tática assustadora.
Já em 2017, decidi documentar esse fenômeno em meu canal no YouTube. Naquela época, o que mais chamava a atenção dos olheiros não era apenas o drible desconcertante, mas o fato de que, aos 10 anos de idade, Noah já possuía um contrato de patrocínio com a Nike de cinco anos. Para se ter uma ideia da magnitude disso, contratos dessa duração para atletas tão jovens são reservados apenas para o topo da pirâmide do futebol mundial. Ele não era apenas um jogador de base; ele era um projeto de marca global.
GESTÃO E CONFIANÇA: O diálogo constante com a mãe de Noah, Cristina Olmedo, permitiu uma visão privilegiada sobre as decisões que moldaram a carreira da joia belga.
O Convite do PSG e o Choque de Gestão em 2019
O ano de 2019 marcou o ápice da disputa pelo atleta. Através de um networking sólido e a parceria com um olheiro de alto escalão da Brazil Soccer — agência de renome internacional que gerencia as carreiras de astros como Roberto Firmino e Gustavo Gómez — surgiu a oportunidade que mudaria tudo. O Paris Saint-Germain, então no auge da era Neymar e Mbappé, solicitou uma avaliação imediata para integrar Noah ao seu centro de formação de elite.
A confiança depositada no potencial do garoto era tão vasta que a promessa nos bastidores era clara: com a assinatura do contrato e o suporte da agência, as portas de clubes como Real Madrid e Barcelona estariam abertas no futuro imediato. O mercado estava pronto para fazer de Noah o "novo Pogba". Entretanto, foi neste momento que a complexidade da gestão de carreira no futebol mostrou sua face mais rígida.
A família, muito bem assessorada e confortável com a estabilidade e o projeto que já desenvolviam na Bélgica, optou pela cautela. Mesmo diante da vitrine global que o PSG representava, a resposta foi um sonoro "não". Naquela época, o empresário responsável pela blindagem da família manteve-se irredutível, priorizando a continuidade no futebol belga em detrimento do salto para a França. Foi um choque para os intermediários, mas uma demonstração de que nem sempre o dinheiro e o peso da camisa compram um plano de carreira já estabelecido.
O PRESENTE: Atualmente no RAAL La Louvière, Noah Makembo vive os desafios do futebol profissional na primeira divisão da Bélgica (Jupiler Pro League).
O Legado da Escolha e o Futuro na Bélgica
Hoje, aos 19 anos, Noah Makembo defende as cores do RAAL La Louvière na Jupiler Pro League (Primeira Divisão da Bélgica). Embora ainda aguarde sua estreia definitiva nesta temporada para consolidar sua transição ao profissional, o talento técnico que o consagrou na base permanece intacto. A trajetória de Noah serve como um estudo de caso fascinante para gestores de imagem e branding esportivo: até que ponto a segurança do presente impede o brilho do futuro?
Se em 2019 o PSG era uma aposta de alto risco e alta recompensa, hoje a realidade da elite belga exige paciência. No Mundo do Esporte RC, seguimos acompanhando cada passo dessa jornada. Nossa relação de respeito com a família, especialmente com a mãe de Noah, Cristina, que até hoje acompanha nossas publicações, é o que garante que esta história continue sendo contada com a precisão que o futebol exige.
No fim, a história de Noah Makembo, assim como a de Endrick, nos ensina que a gestão de imagem não é apenas sobre o que acontece dentro das quatro linhas, mas sobre as decisões corajosas (ou cautelosas) tomadas em salas de reunião anos antes do primeiro gol profissional ser marcado. O registro está feito, e o tempo, como sempre, será o juiz final.